Esses dias, passeando por blogs bacanas, vi um texto ótimo sobre sofrimento, falsas cruzes e similares.
Eu tava com uma idéia incubada na cabeça pra falar sobre sofrimento aqui, não um desabafo, mas uma constatação. E foi quando eu vi esse post aqui: http://www.padrefaus.org/?p=1015 – Do Padre Faus, espanhol, da prelazia da Opus Dei.
Existe sofrimento na vida, e dele não dá pra fugir. “Tente excluir a possibilidade de sofrimento de sua vida, e você excluirá a vida em si mesma” – C. S. Lewis (outro fera). Resta saber se essa dor, esse sofrimento nos fará crescer, ou nos tornará menores.
Abaixo transcrevo algums trechos do blog do Pe. Faus. Aconselho fortemente a uma olhada no texto lá mesmo, na íntegra, para uma reflexão mais profunda. Vou falar aqui do que mais me tocou.
“Há um fato indiscutível, e é que o sofrimento é nosso companheiro ao longo de todo o caminho da vida. E há um segundo fato, igualmente incontestável: conforme as pessoas – conforme a qualidade da alma das pessoas -, o sofrimento esmaga ou faz crescer, destrói ou amadurece.”
Como você enfrenta seu sofrimento? Como você o “digere”? Ele vira combustível pra você crescer, ir adiante… ou terra jogada sobre seu caixão?
Até aí tudo bem, já é uma reflexão válida pra entender e enfrentar o sofrimento. Mas até onde a dor é algo BOM, e em que ponto essa dor deixa de ser NECESSÁRIA?
“Mas, ao lado dessas cruzes enviadas ou permitidas por Deus há outras que nem Deus quer nem nós queremos, mas aparecem. São as “falsas cruzes”, que nada trazem de bom. Em que consistem?
Trata-se das “cruzes” que nós mesmos “fabricamos”, “inventamos”, e que nunca deveriam ter existido. São as que aparecem só como conseqüência da nossa mesquinhez e dos nossos defeitos. A pessoa egoísta, ciumenta, invejosa, teimosa…, sofre muito e faz sofrer os outros. Mas esses sofrimentos não são “cruzes”, no sentido cristão da palavra. São apenas a destilação amarga do nosso egoísmo. Com certeza não são a vontade de Deus; pelo contrário, trata-se de pecados mais ou menos graves, que evidentemente Deus não quer, mas nós colocamos como pedras no caminho da vida.”
Então… cabe aqui uma auto-análise. O sofrimento natural da vida, acontece sem que o provoquemos. É natural. Agora… e a dor toda que nos “afoooooga” por não termos o que queremos, nos deixa “desesperaaaados” quando queremos fazer algo que CLARAMENTE não vai ser bom, nem pra mim, nem pro próximo? Essa dor nasce do meio dessa bolha enorme de egoísmo que deixamos crescer… alimentando e massageando o próprio ego. E não adianta negar… a gente SABE BEM onde e como buscar comida (e das boas) pra esse pit-bull que vive no nosso coração, só esperando pra ficar fortinho, arrebentar a coleira e sair ferindo a tudo e a todos, inclusive o dono.
Devo mesmo choraaar, sofreeeer de dor por algo claramente egoísta? – Opa, peraí. E se eu não achar aquilo egoísta? E se eu achar que é muito justo que eu esteja sofrendo por… estar longe da minha “cachacinha”, por exemplo? E se eu achar que essa é uma legítima cruz que eu devo carregar, e que vai me aproximar de Deus?
=/
Ninguém é bom juíz em causa própria. Eu não consigo julgar uma situação sem puxar a brasa pra ssardinha do meu ego, do meu conforto, do que é mais “gostosinho” pra mim. Você consegue?
Taí a importância de, talvez, ouvir o que Deus tem pra você… através de alguém que se preocupa com você de verdade, com amor genuíno. Mas, essa de ouvir conselhos, por mais duros que sejam… é assunto pra outro post. E também vou voltar a falar de sofrimento. Mas não nesse clima tão pesado, espero.
Pra finalizar, o título desse post é o nome de um livro da Luzia Santiago, da Comunidade Canção Nova, que eu ainda não li… mas sempre lembro quando estou sofrendo.
Até a próxima.
Ósculos e amplexos.
Hm… Realmente, sem “dor” acho que seríamos seres vazios e sem qualquer perspectiva. A dor nos faz crescer, e a julgo necessária também.
Mas concordo com a segunda parte também, muito do que “reclamamos” geralmente é causado por nós mesmos, as vezes é tenso das pessoas enxergarem isso, como você disse, concentradas somente em seu ego, fica complicado e acabam tornando-se infelizes.
Enfim, belo post Adriano, bem legal de se ler quando você está lá em baixo, querendo subir a qualquer custo.